Retratos Cinematográficos: Uma Entrevista com Duran Levinson

2017-02-09

Principalmente inspirado pela cultura africana e asiática, o fotógrafo da Cidade do Cabo Duran Levinson generosamente compartilha os seus segredos sobre a sua carreira sucedida e profissional de fotografia analógica com o seu trabalho dicotômico entre moda e documentário.
Leia a conversa exclusiva da Lomography Magazine com Duran sobre a fotografia de moda no Oeste e como a paisagem social de Rwandan formou o seu estilo e pensamento tanto como viajante e fotógrafo.

© Duran Levinson

Oi Duran! Primeiro, seja bem-vindo a Lomography Magazine! Como você começou a trabalhar com a fotografia analógica?

Oi Lomography, obrigada! Eu comecei com fotografia de filme uns 3 anos atrás depois de ter me formado da faculdade de cinema e ter trabalhado na indústria por 2 anos. Eu me formei em cinematografia e eu trabalho por conta própria na África do Sul. Eu comecei a passar o meu tempo livre experimentando com a fotografia de 35mm. Eu curti o processo de fotografar com filme de novo depois de ter tido a oportunidade de trabalhar com Super 16mm e 35mm quando eu ainda estava na faculdade de cinema. O processo inteiro é excitante & estressante, e mesmo assim gratificante quando você recebe o filme de volta. Nos últimos 2 anos eu fiz da fotografia analógica o meu escape criativo principal.

© Duran Levinson

Normalmente você trabalha com retratos de moda e fotografia de viagem. O que você busca em um retrato de moda?

Eu comecei a fotografar retratos de moda quando eu estava viajando pela Ásia, principalmente em Hong Kong. Eu percebi que retrato é o tipo de fotografia que mais me interessa. Quando eu estou viajando, eu procuro modelos e pessoas alternativas que me parecem ser interessantes, normalmente eu fotografo as modelos no seu ambiente natural e em locais que eu nunca visitei antes. Eu diria que a maioria das pessoas que eu fotografo são modelos não-tradicionais ou o tipo típico de pessoas que você vê diariamente nas revistas de moda. Quando eu viajo, eu gosto de deixar tudo espontâneo e isso é uma grande parte de como eu fotografo e se desenvolveu em um tipo de estilo.

© Duran Levinson

Continuando a minha pergunta, nós percebemos que as suas fotos de viajem têm um certo estilo documentário também; como a prática comum entre muitos fotógrafos de viagem é mais de cenários e arquitetura. Qual é o seu objetivo principal tirando fotos de viagens?

Eu acho que eu também me descreveria como fotógrafo de rua, como eu sempre tenho uma câmera comigo quando eu viajo. Eu adoro capturar a vibração de um lugar quando eu estou visitando ele pela primeira vez, e eu sempre quero ter um conjunto de imagens que eu possa usar para contar uma história, como uma composição fotográfica ou simplesmente um projeto de retratos ou documentário.

O meu objetivo principal normalmente é obter um conjunto de imagens que funcionam como uma peça coesa, normalmente estas imagens vão para o meu site para os telespectadores interpretarem como eles quiserem. Eu gosto de me divertir com a fotografia urbana e mostrar o lado peculiar e não-conhecido de cidade, de novo, principalmente na Ásia. Eu acho que ter a vantagem de ser um outsider e ver essas áreas pela primeira vez pode fazer você realmente apreciar tudo, e capturar isto em uma perspectiva honesta ou única.

© Duran Levinson

A série de Rwanda na verdade é um ensaio de fotos. Você pode compartilhar conosco uma curta história por trás desta série? Como foi documentar um tema sensível?

O ensaio de Rwanda “Indivisible” foi fotografado em Julho de 2015 – eu queria visitar o país que sofreu um genocídio deste tamanho, apenas 21 anos atrás, durante o meu tempo de vida. É um país que cresceu, curou e se transformou em um lugar incrível, e um grande exemplo não só para África, mas para o mundo inteiro sobre os poderes curativos e o crescimento de um país em um tempo tão curto.

Eu fui convidado para visitar Rwanda e eu não hesitei. Duas semanas depois eu estava a caminho. Eu passei umas semanas basicamente viajando pelo país com nenhum destino em mente. Eu simplesmente fotografei o que eu vi e o que eu achei interessante. No final da viagem, eu passei 1 dia escrevendo sobre todas as minhas experiências e isso se transformou no trabalho que acompanhou o projeto final. Você pode ver o projeto inteiro lá no meu site.

© Duran Levinson

Você mencionou que você usa câmeras de 35mm e câmeras point and shoot. A qualidade da impressão é surpreendente! Você tem alguma dica para a digitalização e exposições de 35mm?

Nos últimos 3 anos que eu vim fotografando, eu quis fotografar com câmeras point & shoot de alta qualidade. Eu amo a possibilidade de ser o mais discreto possível e eu não gosto de carregar um monte de equipamento fotográfico comigo nas minhas viagens.

Em Rwanda eu estava fotografando principalmente em uma Leica Minilux e ano passado eu me livrei da maioria das minhas câmeras e fiquei com as minhas câmeras Contex. Eu amo a qualidade das imagens que eu consigo atingir com a minha T2 com a lente estelar que ela tem. Eu quase só uso a minha T2 e o meu telêmetro novo, a Contax G2, com uma lente de 28mm. Eu acho que estas duas câmeras junto com umas outras câmeras point & shoot, como uma Olympus MJU II, eu consigo atingir qualquer tipo de fotos que eu preciso.

© Duran Levinson

Em termos da digitalização, eu me certifico de que o meu trabalho seja scaneado no melhor lugar possível. Eu gosto de experimentar com filmes diferentes mas os meus filmes preferidos são Agfa Vista 200 e Kodak Porta 400.

Eu trabalho com scans de alta resolução de JPEG que não têm tanto contrasto ou correção de cor. Depois eu normalmente passo as fotos pelo Lightroom para certificar que os pretos e os brancos estão como eu quero. Depois disso eu exporto elas na resolução correta para web ou print. Eu também pego umas imagens e scaneo elas em Tiff em um scanner Imacon. Com estes scans, eu limpo os negativos e corrijo as cores no Lightroom antes de exportar. Ter estes scans do meu filme em alta resolução me deixa trabalhar para conseguir exposições em galerias no futuro.

© Duran Levinson

De onde você tira a sua inspiração e as suas musas?

A minha inspiração principal vem do cinema e dos meus diretores e cineastas favoritos. Eu diria que as minhas top 5 inspirações para fotografia são: Wong Kar-Wai, o diretor de Hong Kong. Roger Ballen, um fotógrafo do Sul da África qual eu tive muita sorte de poder ter conhecido recentemente.

Gasper Noe, um diretor Argentino que fez uns filmes incrivelmente perturbadores e lindos, como ‘Enter the Void’ & ‘Love’. Alejandro Jodorowsky que dirigiu filmes como ‘The Holy Mountain’ & ‘El Topo’.

Jürgen Schadeberg, que na minha opinião, é um dos melhores fotógrafos de todos os tempos. O seu trabalho é uma grande inspiração e eu recomendaria suas fotos para qualquer um que nunca ouviu dele.

© Duran Levinson

Como um fotógrafo, o que você normalmente faz para certificar que você continue crescendo na sua arte?

Eu diria que ficar inspirado é a parte principal da minha rotina diária. Às vezes, eu não tenho trabalho por semanas, o que realmente é muito chato, mas depois, às vezes tem tanto trabalho que eu não tenho tempo de me concentrar na fotografia. É importante encontrar o equilíbrio como um freelancer e ter tempo para a sua paixão e para o seu trabalho. Eu sempre me inspiro mais, quando es estou visitando novos países. Eu acho que viajar, especialmente na Ásia, me ajudou a crescer como um fotógrafo. Toda vez que eu vou trabalhar em um novo projeto em um novo país, isso sempre ajuda a acender a chama.


Fora a fotografia, Duran também faz as suas próprias foto-zines e às vezes também vende câmeras de filmes e prints dos seus pertences.

Leia a nossa primeira reportagem com Duran ou visite o seu site e Instagram para ver mais do seu trabalho. Imagens usadas com permissão de Duran Levinson.

escrito por Ciel Hernandez no dia 2017-02-09 em #pessoas

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