O Primeiro Amor de Formato Médio: A Minha Yashica Mat-124G

2017-03-09

Uma fã de longa data de câmeras de plástico, a autora e fotógrafa argentina Lorraine Healy é a autora de “Tricks With A Plastic Wonder,” um manual para obter melhores resultados com a câmera Holga. Neste artigo, Healy explora o seu carinho pela clássica Yashica TLR.

Anos atrás, quando a minha amiga a mentora Sharon “Shoe” Shoemaker me disse que eu tinha que experimentar com o formato médio, eu não tinha a menor ideia do que “formato médio” era. Até aquele ponto, a minha experiência fotográfica inteira tinha sido com 35mm ou as caixas ou as caixas populares de filmes 127 que eram usadas por câmeras como a Kodak Fiesta. Eu comecei a procurar câmeras de meio formato e nessa época, em 2002, o povo estava vendendo o seu equipamento analógico às toneladas. Quando eu vi uma das câmeras recomendadas, eu lembrei do meu avô e uma das minhas tias fotografando com uma dessas quando eu tinha uns seis anos de idade. Era uma TLR, eu não sei que marca. Mas a Yashica parecia perfeita, então eu comprei uma. Eu também comprei uma câmera dobrável Voigtlander Besseler, só porque a ideia de dobrar uma câmera me atraiu. Mas nunca entrei nessa.

Antique Store in Buenos Aires, Argentina. Yashica TLR.

Se eu sabia antes que a TLR iria mostrar a imagem virada da direita a esquerda? Eu acho que não. Demorou um pouco pra mim entender a composição, alinhando coisas do jeito que eu queria. Mas assim que eu entendi como funciona, a câmera roubou meu coração. E ela nunca mais devolveu!

Sestiere San Polo in Venice. Yashica TLR.

A Yashica Mat-124 G foi fabricada de 1970 até 1986 e foi a última TLR produzida por Yashica. Não é uma câmera muita rápida, com a Yashinon 80mm f3.5-22 (equivalente a uns 50mm) e o obturador oferece velocidades de 1 à 1/500 seg., e Bulb. Ela carrega filmes 220 com um simples deslizar de placas de pressão. Eu ainda tenho uns rolos de filme 220 e eu acho que essa é a minha única câmera que aproveita eles.

Two images of the beautiful village of Cesky Krumlov, in the South of the Czech Republic. Yashica TLR.

Eu comecei a viajar com a Yashica e por onde eu andava com ela, a mesma coisa acontecia: se eu estava fotografando nas ruas, pessoas da minha idade e mais velhas sorriam com prazer e imediatamente começavam a me contar sobre a TLR dos seus pais, avôs, tios. Era o maior quebra-gelo já conhecido. Foi como se as pessoas não conseguissem se segurar. A Yashica era um ima do seu passado e eles tinham que falar com esta mulher que parecia estar carregando uma delas ao invés de um milagre digital.

Burano, near Venice. Yashica TLR.

Uma coisa diferente aconteceu quando eu estava fotografando dentro de um café de Buenos Aires: eu era invisível. Os homens dentro dos cafés me davam uma olhada, olhavam pra mim com a minha cara enfiada dentro da Yashica enquanto eu estava focando e me ignoravam imediatamente e voltavam para os seus papos. Isso era exatamente o que eu queria, os “suspeitos habituais” nas suas mesas, conversando sobre os seus negócios de concertar o mundo, a economia, a política, ou “fútbol”. Eu coloquei a minha Yashica na minha mesa e fotografei o tanto quanto eu queriam, focando quando eu queria mudar de ângulo. Por conta do negativo maior de 6x6 cm, mesmo se a minha composição não saísse perfeita, eu poderia cortar mesas e cadeiras depois para a minha impressa final.

Two quiet scenes at my most favorite café in Buenos Aires, the Argos, now sadly gone.

O ISO na Yashica só vai até 400 e eu nunca tentei fotografar com filme de 800 ou mais. Eu tenho certeza de que iria dar certo se eu usasse um fotómetro lendo o ISO correto.

Burano, near Venice. Yashica TLR.

Mas por mais que eu ame essa câmera, nos últimos anos eu não pude viajar com ela, a não ser se eu estivesse viajando de carro. Com 1.1 quilos (2.5lbs), ela ficou muito pesada pra mim levar ela o dia inteiro, pendurada no meu pescoço como eu fazia antes ou até na minha mochila de fotografia. Por isso este incrível tijolo de câmera não está sendo mais tão usada como eu gostaria. Recentemente eu tive que mandar concertar, porque a roda que abre a câmera ficou entalado. O meu mágico de câmera local, Doug, retornou ela à sua glória original. Uma olhada no eBay mostrou que uma dessas câmeras sai por $250-$300, em condição excelente—o que, na minha experiência, significa que é melhor você economizar para mandar pro seu serviço de câmera de confiança, só pra ter certeza que você obterá as melhores imagens.

Père Lachaise Cemetery, Paris, shot with expired film. Yashica TLR.

Informação Técnica:

Tipo de Filme: 120 or 220
Tamanho de Foto: 6cm x 6cm
Peso: 2lbs, 6.8oz (1,100g)
Lente: revestida, 4 elementos Yashinon 80mm f3.5-22 [equivalente à (mais ou menos) 50mm]
Tamanho do Filtro: Bay I (Bayonet type I) 30mm
Gama Focal: 3.5' até infinito
Obturador: Copal SV
Velocidade do Obturador: B, 1-500
Visor: TLR
Medidor de Exposição: CdS
Gama ASA: 25-400


Uma fã de longa data de câmeras de plástico, a autora e fotógrafa argentina Lorraine Healy (@lorrainehealy) é a autora de “Tricks With A Plastic Wonder,” um manual para obter melhores resultados com a câmera Holga, disponível como livro eletrônico no Amazon.com.

escrito por Lorraine Healy no dia 2017-03-09 em #equipamento

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