Uma Realidade Completamente Nova: Uma Entrevista com Gabriele Rossi

2017-07-04

“Cada paisagem é uma caixa aberta para memórias,“ diz a fotógrafa italiana Gabriele Rossi. Ela decidiu fazer um curso de fotografia por dois anos em Roma e foi assim que tudo começou. Gabriele sempre sentiu uma certa necessidade de capturar várias formas de realidade ao seu redor e é por isso que cada uma das suas paisagens é uma obra de arte. Nesta entrevista, Gabriele compartilha as suas memórias de infância mais queridas e explica como estas memórias a influenciaram como uma artista.

Oi, Gabriele! Que bom te ter na nossa revista! Quando você primeiramente percebeu que você queria se dedicar a fotografia? O que te fez se apaixonar por esta arte?

Depois de me formar do colégio, eu tentei seguir um caminho acadêmico na universidade, começando a estudar ciência de comunicação, mas as minhas ideias de uma pessoa de 18 anos eram muito confusas; começando no quadro, as aulas estavam me entediando, mesmo escrevendo provas. Então eu comecei um caminho mais próximo ao que eu considerava muito importante para mim ou melhor, ao que me deixava me sentir viva: música, cinema, literatura, arte.

O meu interesse pela fotografia surgiu bem devagar, provavelmente porque eu tive que ajustar um fundo bem forte, eu descobri a fotografia por acaso, tentando descobrir se uma câmera velha do meu pai ainda funcionava. Eu não gosto de falar sobre amor à primeira vista porque, mesmo agora, pra mim, a fotografia esconde algo que não foi resolvido, algo que temos que enquadrar em forma de perguntas.

Como foi o seu começo na fotografia? O que te encorajou a compartilhar a sua visão do mundo com outros deste modo?

Como eu disse antes, o meu começo na fotografia foi por acaso, e não longe da primeira vez que eu segurei uma câmera nas minhas mãos. Eu fiz um curso de fotografia de dois anos em Roma. Eu me lembro dos meus colegas de classe, cada um deles estavam morrendo para saber “como – se – tornar – em – um – fotógrafo – em – dois – anos”, enquanto eu estava com medo de começar as aulas. Depois dos dois anos em Roma, eu me mudei para Milão, e aqui eu encontrei um lugar ótimo e fértil para melhorar o meu conhecimento na fotografia e não só para isso, mas também para frequentar um mestrado em fotografia e design visual.

Em vez de dizer o que me encorajou (eu honestamente não me lembro), seria mais fácil para mim simplesmente falar do presente: eu realmente não acho que a fotografia é conectada com a prática, agora, (pós-moderna) de compartilhar com outros. Quer dizer, cada um de nós que faz fotografia, tem uma vista muito subjetiva do mundo real. Eu acho que a fotografia de hoje está vivendo um verdadeiro momento de crise, porque muitas vezes, autores sentem a necessidade de demonstrar que esse meio tem que passar novas estruturas e modelos para chegar perto da arte contemporânea: é uma declaração falhada.

Como criança, você fazia muitos passeios com os seus pais para as montanhas. Quais são umas das suas memórias preferidas da sua infância?

Se você não for para as montanhas, você vai para o mar! Com certeza eu me lembro do verão no mar em Terracina, o lugar de nascimento do meu pai. Eu sempre me lembro da minha tia Rossella, levando eu e os meus primos para o mar de carro: para chegar no mar, a gente tinha que descer um morro que parava uma ladeira que fazia todo mundo pular no carro. Cada um de nós ainda está vivo.

Você diria que essas memórias formarem quem você é hoje, como artista, como você também gosta de tirar fotos de paisagens lindas?

Eu descreveria este ato de compartilhar memórias através da origem da paisagem do mundo (Pak) dada pela raiz Indo-Europeia. Pak significa consertar, amarrar, termos que são bem próximos da representação, desta raiz foi criada a palavra latina pax, isso significa paz (pace em italiano), e da mesma raiz nasceu a palavra latina pagus (o que significa ‘plantar’), essa é a origem da palavra italiana “paesaggio”, ou seja, paisagem.

Então de acordo com estes estudos, cada paisagem é uma caixa aberta para memórias, nós podemos olhar para os nossos lugares preferidos e sentir uma sensação de paz, porque ela gera memórias que foram gravadas na primeira vez que vimos tal paisagem.

Você pode nos contar um pouco mais sobre o seu processo criativo por trás do seu trabalho? O que desperta a sua inspiração?

Desde que eu comecei a tirar fotos – mesmo não profissionalmente – eu senti a necessidade de capturar formas diferentes das realidades ao meu redor. Juntando fotos nos meus projetos, pra mim, é uma porta sorrateira para criar um arquivo maior; um método que sempre me faz investigar, questionar e alimentar o meu processo. Eu tiro fotos por nenhum outro motivo do que para experimentar a tensão que existe entre mim e o objeto.

O ato em si, de tirar fotos nunca é predeterminado: eu sempre renegocio o método e no final, o resultado final é o que eu queria fazer. Os temas pelos quais eu me interesso em pesquisar e focar, são arquitetura e paisagens. Particularmente, eu me interesso em entender como seres humanos afetaram estes elementos e vice-versa.

Uma realidade é uma coisa complexa com várias camadas que sempre me fascina. Às vezes eu me pergunto: a realidade é o que experimentamos através da vida cotidiana? Como é que a nossa imagem se forma da arquitetura? Existe um limite marcado entre esses dois elementos?

O que a fotografia tem que te faz criar repetidamente?

Quando eu trabalho em uma nova série de fotos, eu faço uma pesquisa intensa no começo. Na maioria dos casos, as minhas fotos vêm de ler livros, ensaios e fotografia de arquivos. Como eu mencionei antes, falando do meu método, eu não trabalho para um resultado predeterminado.

Você tirou fotos lindas do Monte Inferno, uma cidade pequena na Itália central. Por que você escolheu este local específico?

A maioria do meu trabalho fotográfico é feito não muito longe da minha cidade nata, Latina, no centro da Itália. O método narrativo que eu uso para retratar o meu lugar de nascimento é por capítulo; previamente eu trabalhei na costa do mar e não na cidade Latina, depois em uma comunidade Indiana, da religião Sikh, que vive no país não muito longe do mar. Eu sempre imagino produzir um grande arquivo dividido por temas, onde cada capítulo poderia ser um trabalho singular ou funcionar em uma história de várias camadas desta parte da Itália.

Monte Inferno é o último e mais recente capítulo; tudo começou com o noticiário de um crime que me deu a possibilidade de criar uma ligação entre os fatos e a minha interpretação da realidade, ou melhor, de me deixar investigar a vida ao redor de um aterro – onde por anos – Camorra estava envolvida no tráfico ilegal de resíduos tóxicos e ela foi culpada pela morte de um pároco que descobriu o negócio.

Então, Monte Inferno é um grande arquivo de momentos históricos exatos, baseado no compartilhamento de quatro anos de vida com os moradores de Borgo Montello, documentando as suas vidas e o lugar onde eles vivem, tentando retrata-los sem nenhum cenário dramático.

Quais são os seus planos para o futuro?

Na verdade, eu tenho umas ideias para novos projetos, com certeza tem um caminho aberto sobre a documentação da área perto da minha cidade nata; o meu objetivo é produzir um arquivo fotográfico da minha geração.


Todas as fotos mostradas neste artigo foram usadas com a permissão de Gabriele Rossi. Se você quiser ver mais do trabalho da Gabriele, dê uma olhada no seu site.

escrito por Ivana Džamić no dia 2017-07-04 em #pessoas

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