A Magia da Fotografia Analógica: Uma Entrevista com Auður Ómarsdóttir

Auður Ómarsdóttir é uma fotógrafa islandesa que se fascinou com fotografia desde que era uma menininha. A fotógrafa se foca em capturar a vida cotidiana, mas ela sempre está em busca de lugares e pessoas inspiradoras ao longo do caminho. Nesta entrevista, ela revela o que a mais inspira na sua cidade nata e explica por que o seu maior desafio até agora foi de entregar um sentimento puro de poesia ao filme.

Oi, Auður! Seja bem-vinda a Lomography Magazine! Em quais projetos interessantes você está trabalhando no momento?

Oi, Lomography Magazine! No momento, a minha exibição Situations no Museu de Fotografia de Reykjavík está acabando (dia 30 de maio). Lá eu instalei uma colagem das minhas próprias fotografias com outras fotos que eu encontrei que não foram revelados, mas os filmes já tinham sido expostos de vários lugares do mundo. Agora em seguinte, eu vou participar de um show em um grupo no dia 10 de junho no Museu de Arte de Akureyri, na Islândia. Eu vou mostrar pinturas e uma escultura. Eu vim trabalhando em vários projetos de fotografia recentemente, mas agora eu comecei a trabalhar com novas esculturas e conceitos para a minha próxima exposição que ainda precisa de um lugar.

O seu trabalho é muito versátil e a sua arte se estende sobre as áreas não só da fotografia, mas também pintura, escultura e filme. Como você consegue se dedicar e suceder em cada uma dessas áreas?

Eu preciso da variedade para me manter dedicada, eu amo fazer de tudo. Eu faço ciclos, como um marinheiro, navegando navios diferentes, porém no mesmo oceano. Para mim, é tudo a mesma coisa. Só são modos diferentes de como alcançar o que eu quero, como se escultura fosse pesca de rede e fotografia fosse pesca com anzol. Eu adoro ter a oportunidade de mostrar a mistura do meu trabalho em uma exposição. É a minha paixão. E filme combina com isso também, é tudo o mesmo barco remando ao mesmo tempo.

Você mora e trabalha em Reykjavík. O que mais te inspira nesta cidade?

No momento eu tenho que dizer que a minha maior inspiração vem no grande nível de energia da sociedade islandesa. A Islândia foi à falência em 2008, mas agora, quase 10 anos passaram e nós estamos construindo hotéis em todos os cantos, abrindo Costco e fazendo programas de televisão sobre casas chiques. Eu já estava grata de ter feito parte de dois mundos diferentes, a geração pré e pós a internet. Agora, morando em uma época definida pela quantidade de mídia excessivamente estimulante, crescimento exponencial de informação e o rápido desenvolvimento da tecnologia.

Mas, morar na Islândia é outra coisa acima disso tudo, o país é tão bipolar como o seu tempo. Uma boa metáfora seria o pescador que ganha na loteria e gasta todo o dinheiro com cocaína e correntes de ouro mas continua ganhando porque ele é um Viking idiota bonito e um baita viciado no trabalho com Alzheimer. Isso é Islândia. É tão ingênuo e fofo. O meu hobby é andar de carro a noite por áreas de construção. Eu amo quando objetos são abandonados e pessoas não sabem o que fazer com eles, é tão humano. Eu sou uma colecionadora e uma neófila, então eu me identifico com esses objetos e os seus ex-donos.

Como a fotografia se tornou parte da sua vida? Quais artistas influenciaram o seu estilo fotográfico e a sua carreira em gênero?

O meu pai tinha um trabalho na área da fotografia quando eu era criança. Eu tinha acesso a todas as suas câmeras e também fazia vídeos na sua grande câmera de VHS. Eu fiz vários autorretratos, mesmo não podendo ver o resultado até bem mais tarde como o meu pai normalmente guardava os filmes e os revelava nas férias na Espanha. Eu acho que o meu estilo se formou bem cedo como criança, o que foi um modo muito instintivo da auto-descoberta.

As minhas fotos ainda são iguais hoje. Mais tarde eu fui pra escola de arte e aprendi as técnicas e acolhei todos os tipos de influencias. Cinema teve uma das maiores influências. Por exemplo, os filmes de David Lynch, Alejandro Jodorowsky, Emir Kusturica e Rainer Werner Fassbinder mudaram a minha vida.

Em 2016 você dirigiu um filme "Femme Castratrice". Você pode nos contar sobre este filme e a sua história por trás deste projeto?

Eu dirigi Femme Castratrice, um filme em três partes, que se trata da mulher como castradora. O projeto foi feito em uma colaboração com a atriz talentosa Snæfríður Ingvarsdóttir, que fez uma performance ao vivo na Academia de Artes da Islândia com o filme sendo projetado no fundo.

Qual é o seu processo criativo quando se trata de dirigir filmes? O que te traz inspiração?

A minha maior preocupação é transformar a mágica da fotografia em filmes, para manter uma certa tensão que é dominante na fotografia. Eu me fascino com as obscuridades do mundano. Os tesouros escondidos que são omnipresentes na nossa realidade. Às vezes eu deixo objetos ou palavras levarem o caminho e ver que descobertas eu encontro. Eu vou à uma caça tesouro e escuto o que outros têm a dizer, como uma mistura de procura deixar as coisas chegarem a você.

Quando há algo que me interessa, eu sinto que isso me traz a base para um roteiro ou uma pintura. Eu sempre estou vendo e recebendo e eu acho que isso é uma parte do meu processo, ter grande confiança no meio-ambiente. Também é importante para o meu processo de me livrar de tentar controlar tudo. O momento é muito importante pra mim, eu me sinto muito energética no set, quase como um meio para o tempo.

Qual é a parte mais difícil no processo de fazer um filme?

Eu tenho que dizer, o mais difícil é dar um sentimento de pura poesia ao filme. O filme pode ser tão exposto ao mesmo tempo e o processo da realização de um filme é tão meditado e planejado. A maior tarefa é o planejamento e realmente visualizar e dar vida as coisas na sua cabeça antes de começar a fotografar. O que é interessante para mim é que o momento nunca pode ser completamente visualizado antes. É algo um pouco difícil e eu amo o desafio.

Você conseguiu construir e manter um estilo de fotografia autentico. Que conselho você iria dar para alguém que acabou de começar a experimentar esta arte?

O meu conselho seria de entrar, voltar no tempo, por que você começou a tirar fotos? Como a sua arte era na sua infância, o seu meio-ambiente? As melhores faíscas da criatividade são aquelas que você não percebe imediatamente, mas que estão bem na sua frente. Todos têm uma história e a maior autenticidade vem de ser um pouco narcisista, para ser sincera. Eu sempre percebo como a minha arte é algo que sempre esteve comigo e que as influencias começam mais cedo do que você pensa. A tarefa é confiar em si mesmo, confiar nas suas ideias, confiar que você tem uma voz e simplesmente começar a fazer.

Podemos esperar mais projetos interessantes de você no futuro?

Com certeza!


Se você quiser ver mais do trabalho da Auður, dê uma olhada no seu site.

escrito por Ivana Džamić no dia 2017-06-01 em #pessoas

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